17 set, 2015 // por Dienifer Reis
Eu nunca fui de se interessar muito por política, sempre ouvi meus pais reclamarem de corrupção e governo, com a idade que eu tinha, isso já era o bastante para me manter informada. Na época eu costumava estudar em escola particular, meus amigos não tocavam tanto no assunto e eu, por minha vez, não lia a respeito. Hoje estudo numa escola pública, a primeira vez em toda a minha vida. Logo, ouço muito sobre política já que muitos dos alunos dependem da ajuda do governo para conseguir o ensino superior. Então o assunto acabou virando parte do meu cotidiano. Ler mais notícias, acompanhar jornais locais, nacionais e internacionais, falar a respeito e debater um pouco se tornou dever meu, até porque isso envolve a profissão que quero exercer. 
Incrivelmente, mesmo no meio da crise em que enfrentamos, das cortas de verbas pra todo lado, das greves e revoltas dos professores da rede pública (coisa que já se tornou comum ter todo ano), pude perceber que ainda há quem diga que o ensino público é melhor que o privado, da mesma forma em que alegam um diploma de uma federal valer mais do que o de uma particular que tenha a mesma excelência de ensino. Eu sou completamente a favor da existência de universidades e escolas públicas pelo simples fato de ser um direito de todo cidadão, mas tenho dó de ver centenas de alunos sofrendo para se formarem devido as greves (depois de terem lutado tanto para passarem no ENEM…), fora os equipamentos das aulas em laboratório que é tão comum deixarem à desejar.
E quem disse que professor de pública é mil vezes melhor que o de uma particular? Que eu saiba, tem muito professor graduado pela federal dando aula para uma particular, e vice-versa. Ou seja, as técnicas de ensino vão se mesclando. O raciocínio vira o mesmo. As fontes, iguais. E agora, quem é melhor que quem?

Uma vez ouvi dizerem que um professor sugeriu a seus alunos que encararem as greves da universidade pública como “férias fora de época”. Um descanso. Isso ficou na minha mente e depois pensei… se três meses por ano, junto com os feriados e faltas por preguiça não forem o bastante para você descansar, pode procurar uma boa alma caridosa a te ajudar financeiramente porquê seu problema não é cansaço, é falta de vontade de aprender para futuramente viver bem. E em falar em viver bem, é realmente preciso ter uma faculdade pra ser bem sucedido? Até que ponto a teoria vai para superar a prática de quem trabalha há anos na área X sem nunca ter feito um curso superior para a mesma?

Na escola que estudo quase sempre tenho que lidar com recusas e caras feias quando digo que não quero ir para a Universidade Federal do Ceará (UFC) e sim para a Unifor, que é uma das melhores particulares do país. As pessoas parecem não aceitar essa minha escolha, querem impor uma regra de que federal é melhor. Temos que parar com essa mania de valorizar mais o diploma público. Não são as letras impressas e nem a espessura do papel que irão avaliar todo o esforço, dedicação e qualificação de um profissional. Profissionalismo vem de quem quer ser o melhor na área em que escolheu, não de quem se forma na área Z numa federal num curso que – muitas vezes –  fez só por fazer porquê “dá dinheiro”.

Respeito quem prefere o ensino público, quem diz que tá pagando imposto pra isso e que não vai ter gastos extras à toa. Fico calada até pra quem diz que em particular só tem os mesquinhos filhinhos de papai – mas nessa hora sempre penso nos riquinhos que vão para a pública para o pai não precisar pagar uma particular e, com o dinheiro economizado, poder ganhar um carro novinho? Isso ninguém aponta como erro quando não pensam nos milhares de alunos carentes que deixam de estudar seus devidos cursos porque tem alguém desse tipo descrito acima ocupando a vaga deles.
Talvez assim tivéssemos mais sorte em ter médicos, professores, advogados (…) e engenheiros quando a população precisa, e não quando a  intolerância administrativa do governo quiser, simplificando: greves.
Portanto, as pessoas deveriam parar com esse preconceito e repensar sobre o número de vagas nas estaduais e federais, o Brasil seria melhor se mais gente tivesse acesso à educação e, principalmente, que ela não acabasse no fim do ensino médio. 

Eu que me pergunto “O que seria de nós se não existissem as particulares?”, te pergunto: o que seria de você se não existisse esse seu preconceito? 

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