29 set, 2014 // por Dienifer Reis

Eu fui de alguns, um pouco. Eram tão alguns que nem chega a enchem uma mão, pra ser sincera, no máximo três dedos. Falo muito, mas demonstro pouco, ainda mais para poucos. Não sei recitar sentimentos, apenas os escrevo, e muitas vezes, me enrolo toda e, às vezes, até falo o que não devo. Tagarelo de tudo mas não digo muito, ou talvez até diga, mas quem se importa? Os poucos? Não… os poucos não se importam, pelo simples fato de hoje serem tão poucos, ausentes. Mas você se importa, não é?

Contigo me abro, falo, grito, riu. Choro, peço colo, carinho. Pego tua mão, desabafo, converso e no inverso, você me enxerga de um jeito doido que nem sei se há explicação aplausível pra essa loucura que vulgo amor. Te dou tudo de mim e ainda sinto vontade de me doar mais, mais, mais e cada vez mais. Só para ti.

Te confesso aos poucos meus medos, receios e erros. Não quero fazer de você um recipiente de males, não quero e nem devo depositar em ti os meus problemas, porque mesmo se depositasse, ainda seriam meus problemas. Mas por ventura, você sempre me escuta. E me mima, faz-me juras. Até que eu me acalme e pare de drama. Sempre funciona.

Sou pra você o que você é pra mim, só que com uma pitada de vontade de ser sempre mais. Sou teu abrigo, teu riso. Sou mais tua do que minha, quero ser teu tudo, tua sina.

Não sou uma jóia rara, porque como eu sempre haverá alguma outra. Não sou um doce, porque uma vez ou outra serei amarga por conta de ciúmes ou hormônios, talvez ambos juntos. Não sou perfeita, porque sou humana. Não sou certa, porque erro muito. Não sou a mais “gostosa” (segundo os padrões de beleza brasileiros), porque amo comer besteiras. Não sou a mais bonita, porque minha vaidade é preguiçosa demais para estar 24 horas em frente de um espelho se embelezando.

Não sou a melhor mulher do mundo, e pra falar a verdade, nem sei se algum dia alguém foi ou se ainda será.

Eu sou papel em branco, um pouco amassado e meio manchado de tinta laranja. Tenho rasuras. E você, meu dengo, não é quem escreve a minha história sob mim, mas é o tal alguém que vale mais do que todos os alguns. Você não possui a caneta nas mãos, mas por pura sorte minha, ou por capricho do destino, é você quem dita muitos (ou talvez todos) dos melhores momentos da minha vida. Te dou tudo que quiser de mim.

E contigo viro livro, enciclopédia e até biblioteca. Te faço autor, narrador e leitor. Te surpreendo nas alegrias e te afundo nas decepções, só pra fazer-te perceber que sou eu o teu grande amor.

Deixe sua opinião

Seu email não será publicado.



*

Comentários no Facebook