Já contei aqui no blog sobre os meus ex-cachos e o quanto gostaria de tê-los de volta, mas hoje quero ir além. Preciso compartilhar com vocês o quanto eu amo a força do empoderamento feminino e em como esse assunto está presente em absolutamente tudo (mesmo que às vezes seja bem discreto).

Ontem uma amiga me sugeriu que eu falasse sobre a nova campanha da Dove que tá inspirando muitas mulheres pelo país inteiro. E cá estou eu pra falar um pouco da minha história que relata o seguinte:
Quando pequena eu tinha os cabelos cacheados e muito volumosos, mas isso nunca foi problema pra mim durante a infância. Aos 9 anos pintei minhas pontas pela primeira vez com um rosa maravilhoso, só que durante o processo de coloração o cabeleireiro disse algo do tipo “Pena que teu fio não é liso, assim a cor ficaria mais bonita e realçada”. Na hora só concordei e continuei ansiosa pelo resultado mas depois pensei que aquele fosse um profissional de merda por achar isso, porque se ele fosse bom mesmo no que faz faria com que uma californiana colorida ficasse legal até em quem é careca! Outra vez também disseram que meus cachos davam uma impressão “desarrumada” no meu visual. Queridos, hoje tenho o cabelo liso e ele continua me dando impressão de desarrumada em quase todos os dias, mas isso faz parte de mim. E, sinceramente? Cabelo domado todos os dias em mim fica tão sem graça.
 
Lá no auge dos meus 10 anos comecei a me irritar com meus cachos, eu nunca soube cuidar deles, sempre ia pra aula com um coque bem preso na nuca e com a raiz lambidérrima e encharcada de creme e água pra segurar os frizz e as ondulações dos cachos e, quando a raiz começava a secar, lá ia eu no banheiro da escola tacar mais água na cabeça. Em casa, usava shampoo, condicionador e máscara para cabelos lisos achando que isso alisaria meus fios. Iludida demais. Como todas nós sabemos, não há nada melhor do que usar um produto destinado ao seu tipo de cabelo para que ele fique de fato bonito.
De tanto reclamar do meu cabelo todos os dias, meu pai sugeriu que eu fizesse a tal da “Escova Inteligente” que nada mais é do que uma progressiva um pouco mais fraca e então comecei a implorar pra minha mãe para fazer a tal. A maioria das minhas amigas já tinham aderido a técnica, as mulheres na televisão também já, as modelos então nem se fala. Todas queriam os cabelos lisos influenciados pela sociedade, inclusive eu.
Só fui conseguir a aprovação da minha mãe aos doze, e lá fui eu ansiosíssima para o salão. Alisei. Me senti realizada e não conseguia parar de testar mil formas de penteados para inovar. Na segunda cheguei na escola me sentindo bem mais confiante e bonita, e todos os meus amigos gostaram da mudança. Mas com o tempo descobri na pele que alisamento não é a melhor coisa do mundo já que precisa de cuidados, paciência e dedicação assim como os cuidados com os cachos. A única diferença é que com o alisamento a gente gasta mais dinheiro.
Depois do alisamento parti para as tintas e a cada seis meses aparecia com uma cor diferente no cabelo. Até que em 2012 arrisquei no ruivo e aqui estou. Depois comecei a me arriscar nos cortes e agora já quero mudar de novo.
Tá, mas o que isso tudo tem a ver com empoderamento? Tem a ver que, se eu tivesse tido mais influências cacheadas, informação fácil e respeito, provavelmente hoje seria uma Rayza Nicácio feliz com meu cabelo cacheado e hidratado (talvez não tão hidratado assim porquê amo uma tintazinha). Hoje sou sim feliz com meu cabelo, não volto aos cachos por pura falta de força de vontade de passar pela transição já que agora meu fio não cresce mais enroladinho e sim todo poroso sem forma alguma. E só sou feliz porque fui moldando, do meu próprio jeito, tudo aquilo que me agrada e que eu acredito que combine com o meu físico e meu interior. 
Lembro de poucas meninas no meu colégio que tinham de fato orgulho dos seus cachos e do cabelo natural em si e eu tinha admiração por elas terem resistido ao alisamento e tinturas porque se sentem bem da maneira que são. E fico mais feliz ainda só de pensar que daqui em diante muitas meninas vão manter os seus cachos graças à essa força feminina que tomou conta da internet e que está ganhando cada vez mais lugar na mídia.
Essa aceitação e apoio gera uma mudança absurda na sociedade, uma mudança pra melhor. Diversifica nossos estilos, pensamentos e atitudes. Nós não precisamos ser todas parecidas para sermos aceitas nos padrões. Até porque padrão não é uma palavra muito agradável.
E eu não quero que vocês pensem que empoderamento é só aderir ao cacheado. NÃO! Você pode sim (e deve!) alisar seu cabelo se isso vai te fazer mais feliz. Você pode sim pintar ele da cor que quiser por mais diferente que ela seja da sua realidade. Você consegue sim ignorar pensamentos de amigos e familiares e ser feliz com a estética que quiser!
Então pinte, alise, enrole, escureça, clareie, corte, alongue do jeito que você – e só você – quiser. A vida é curta demais pra reclamar todo dia de cabelo sem graça, crise de identidade, bad hair day ou sei lá mais o quê.

E posso te contar um segredo? Foi assim que passei a adorar e achar lindo tudo que é diferente do convencional. Ás vezes algo nem é tão bonito assim esteticamente para nós, mas só em notar a coragem e autoconfiança da pessoa que aderiu a tal coisa, se torna deslumbrante. Acredito que seja isso que sentimos quando dizemos “lindo, mas eu não teria coragem”. Entende?

Por mim, eu teria todos os cabelos do mundo em diferentes fazes da vida, pena que nem todos estejam ao meu alcance. Inclusive, já quero mudar radicalmente mais uma vez! Pena que tenho um potão de 1kg de tonalizante que não quero me desfazer enquanto não acabar e queria meu cabelo bem comprido antes da tal mudança radical.

Me conta aí se esse post foi útil pra você, se tem alguma história relacionada ao assunto ou se tem vontade mudar também. Vou adorar saber! E não se esqueça: seu acabelo, assim como o seu corpo, são suas escolhas!

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  1. Isa Nonemacher

    1 de março de 2016

    Que texto incrivel. Sempre tive vontade de alisar e pintar de ruivo, mas com o tempo fui aceitando a forma do meu cabelo, além dele ser muito seco pra pintar e todo esse processo acabaria por destruir de vez com meu cabelo haha
    Beijos
    Isa Nonemacher

  2. Dienifer Reis

    1 de março de 2016

    Te entendo, Isa! Eu também tinha medo do ressecamento mas arrisquei mesmo assim, no início ressecou mesmo, mas nada que um cronograma capilar não resolva 🙂 Se decidir arriscar também volta aqui pra me contar, tá?

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